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Letra a letra e as aspas e reticências que a vida tem serão esboçadas aqui. Por quê? Já dizia Clarice Lispector, "Porque há o direito ao grito. Então eu grito". Só quero dividir as doçuras e azedumes, as rosas e espinhos que vou encontrando na Roseira da vida. Rosas pra você.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014




Querida amiga,

Não me causa espanto que você ainda sonhe com o príncipe encantado. É bom sonhar. Mas você precisa entender a diferença entre sonhos artificiais e possíveis realidades.
Por vezes já lhe disse: você precisa analisar o que este príncipe, como ser real e palpável que é, deve conter, ter e ser. Vou te ajudar. Estas são algumas dicas infalíveis que minha bisavó deu para minha avó que anos mais tarde deu para minha mãe, que me deu também é claro. Hoje dividirei este tesouro com você. Mas antes que leia, quero que me prometa que não ficará deprimida e nem se apegará a impressão de que tudo não passa de uma ficção literária, de uma utopia inventada em torno de um ser que cientificamente é um pouquinho sentimentalmente inferior a nós, mulheres. Preparada? Bem, vamos lá.

Procure um homem que te olhe nos olhos, com a mesma doçura e carinho que seus pais te olhariam, mas que saiba também te despir com os olhos e arder de paixão.

Procure um homem que seja capaz de fazer loucuras por você. Procure um homem que a deixe louca. Sanidade e equilíbrio nunca definiram amor.

Deseje um homem que a deseje também. Que a deseje mais que futebol na TV e mais que um chopp com os amigos. Procure um homem que não abra mão do futebol e dos amigos.

Esteja pronta para receber um homem que te receba sempre de braços abertos, braços fortes de preferência, e que te aperte na medida exata para sentir a segurança que ninguém tem o poder de lhe transmitir.

Valorize o homem que tenha o poder de lhe beijar profundamente, apaixonadamente e desesperadamente. O homem que a beije como nenhum outro algum dia sonhou em beijá-la.

Procure um homem que lhe mande flores, e que seja capaz de lhe escrever um cartão sem ter que citar um dos poemas chatos de Camões. Um homem que saiba o poder da declaração mais perfeita, aquela meio torta, meio sem jeito, sem coesão e coerência, mas que é de verdade.

Estime o homem que te apresenta aos amigos, que te liga pra dizer bom dia, que te faz rir quando tudo parece meio cinza e sem graça. Estime o homem que traga mais graça à sua vida, que te instigue a viver intensamente as 24 horas dia a dia.

Procure um homem que troque uma noite de sono por você. Um homem que não pense em desperdiçar um único minuto ao seu lado. Procure um homem que nunca lhe troque por coisas ou pessoas.

Busque o homem que lhe acalme, que lhe dê segurança. Busque o homem que segure sua mão como quem carrega a joia mais preciosa.

Procure um homem que te ligue dez vezes depois de uma briga, até você atender. Um homem que reconheça que não pode perder a mulher da sua vida independente do teor do assunto em questão.

Procure um homem que a deseje, que a admire, que valorize suas virtudes, seu caráter, sua classe. Um homem que te ame, que ame o teu jeito de falar dengoso, teu jeito de olhar assustado, que ame tua gargalhada esquisita, teu silêncio absoluto e necessário, tua voz, teu cheiro doce de baunilha, teu estilo pouco modesto, teus ideais, teus sonhos tão reais.

Procure um homem que sonhe com você. Um homem que lhe faça sonhar, que te ajude a realizar tudo aquilo que grita no teu coração. Um homem que te ajude a chegar em todos os lugares que esperam tua visita, todas as culturas que te aguardam, todas as conquistas que estão logo ali, ansiando por serem comemoradas.

Procure um homem que lhe faça mais mulher, mais bela, mais amada, mais especial que as demais mulheres que existem no mundo.

E se não encontrar, não desista. Ele há de existir. Talvez perto, ou longe, ou quem sabe nos seus sonhos. Mas ele há de existir.



Prefira acreditar em príncipes encantados - mas não tão encantados assim. Porque de bobos da corte minha amiga, a vida já está bem cheia. E você não quer alguém pra te divertir, quer alguém pra te amar.


terça-feira, 17 de setembro de 2013


Sempre haverá um fim de tarde que silencia ou uma manhã que causa náuseas por ter começado. Haverá uma ventania que trás pensamentos ruins e um temporal que manchará a alegria. Sempre haverá.

Felicidade pra ser completa tem que ser de mentira, tem que ser inventada e atuada por atores que preferem se enganar a viver os buracos escuros em que vez por outra serão empurrados.

Você acha que consegue controlar o mundo, mas a verdade é que não pode controlar nada, nem seus próprios pensamentos. Não existem regras que não possam ser quebradas, não existe verdade que não tenha mais de uma versão, não existe felicidade que suporte uma vida sem deixar pedaços pelo caminho.

Nada é completo, único ou insubstituível. Ninguém consegue manter uma alegria inventada quando deita a cabeça no travesseiro e se obriga a encarar a verdade e a cadear novamente todos os medos que carrega dentro do peito.

O mundo não é cor de rosa, as nuvens não são feitas de algodão e a vida meu caro, é esse apanhado de acontecimentos. Hora aceitável, hora uma porcaria que a gente fantasia pra fazer de conta que é feliz.

 



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

 

 
Nunca tive jeito pra despedidas. Acho que quem a gente escolheu pra dividir a vida deveria estar perto, sempre.

Basta eu fechar os olhos pra sentir como seria diferente se nossa única distância fosse as nossas pequenas diferenças. A gente se despediria hoje, mas saberia que amanhã, se a saudade apertasse, estaríamos ali, um pro outro. Eu poderia tocar sua campainha a qualquer momento e dizer que vim passar um tempo com você. Você poderia chegar de surpresa, trazer a minha sobremesa favorita e rir da minha fraqueza por doces.

A gente teria tempo pra ficar jogado no sofá, sem se preocupar com a hora da partida cada vez mais próxima. Olharíamos bem menos para os ponteiros do relógio. Estarmos juntos, seria nossa única preocupação.

Em uma tarde chuvosa qualquer, você passaria aqui em casa. Iríamos para o melhor café da cidade, você falaria sobre o dia estressante no trabalho e eu, empolgada, te contaria cada detalhe dos meus novos projetos. Você me ouviria com atenção, como sempre.

Só que no lugar do cotidiano acalentador que idealizamos, a saudade que transforma tudo em dor e de certa forma revolta, nos distancia do que queremos ser. Nós, todos os dias.

Tardes de sol, dias de chuva, dias de tédio e euforia, tudo se perde. São nossas perdas irrecuperáveis. Pedaços da nossa história que ficam e deixam saudade antes mesmo de serem vividos.

Nós, todos os dias, é o que eu sonho pra gente. Quero o cotidiano, tudo o que é simples, bobo, desgastante. Quero mais dia a dia. Quero mais dias. Quero poder dormir tranquila por ter olhado nos teus olhos e ter a certeza de que você está bem.


 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

 
 
E então, num domingo à tarde caminhando nas ruas de um parque sem graça você se da conta que encontrou, finalmente encontrou quem fará seu coração suspirar por muito tempo.
E você olha pro céu. Não para agradecer, mas para o dia nublado e sem cor que te dá a certeza de que é ele, sim, é Ele. Porque seu coração continua feliz mesmo sem o sol, e continua saltitando como uma criança com brinquedo novo e ao mesmo tempo, calmo como um dia de férias ao balançar de uma rede de descanso. Dentro de você toca uma música doce e serena de John Mayer. As batidas do coração, o barulho do vento nas árvores, tudo dança no mesmo compasso.

Você olha pra ele e ele sorri. Simples como caminhar, mas intenso, vivo.  É incrível sentir o inexplicável. É bobo e é complexo.
E quando ele, lá das alturas te abraça e te faz flutuar numa tentativa, talvez, de chegar ainda mais perto, você agradece a quem quer que seja por estar ali, com ele, naquele momento.

Ele passa as mãos no cabelo num gesto habitual e você acompanha com os olhos, cada fio. E você pensa: Ele é bonito demais pra alguém com o coração tão lindo também. Sem drama, tenho certeza que isso é poesia.
E então você acredita, a vida gargalhou pra você, mesmo. 
 
É lindo, eu sei. Mas toda essa perfeição, acredite, vai te decepcionar muitas vezes, e você vai odiá-lo por isso, muito.

Talvez odeie por uma hora ou quem sabe duas quando a raiva for daquelas bem grandes, mas vai passar. Porque você o encontrou. Entre tantos outros você o reconheceu e isso explica tudo. Uma explicação que só vocês dois entendem. Um enigma desvendado, abstruso, acabado e afável.

 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Por amor as causas perdidas
 
 
 

Há quem tenha medo de arriscar, de se envolver em nós apertados e perder o controle do tempo que vem depois.

Medo mesmo a gente deveria ter do incompleto, daquilo que quase foi e que fica martelando dentro do peito com mil pontos de interrogação.

Deveríamos ter medo de pouca vida, de emoções contidas e desejos reprimidos.

É tanta história que se perde entre nãos e suposições, entre a falta de certeza, de clareza das palavras e franqueza no olhar que chego a lamentar as causas perdidas.

Olha, não é por piedade, mas quem já perdeu o que nunca mais poderá ser recuperado merece da vida um abraço apertado e amor pra curar. Cada um sabe a perda e o peso que carrega. Só não sabe até quando ou se um dia vai passar.

Pensamentos assim como o vento são imprevisíveis. Alguns desaparecem e outros jamais são esquecidos. Geralmente os que doem mais, as perdas irreparáveis. Fragmentos de nós que ficam pra trás quando já não á tempo de voltar. A vida não para, lembra? Não se pode pedir calma.

Seja a hora ou o amor da sua vida, perder nunca será bom. Nada que é arrancado da gente pode ser. Sei lá, de certa forma o que se perde fica pra traz e a vida segue do mesmo jeito. As vezes um pouco sem jeito, mas segue do jeito que dá, faltando pedaços, cambaleando entre um passo e outro.

 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

AQUELE APERTO NO PEITO 
 

Talvez lá no fundo, atrás daquele sentimento ameno de que tudo está como deveria ser, exista a inquietação que não te permite cessar a busca.
Quando o olhar se perde no infinito e o sorriso precisa ser lembrado que seu dever é estampar o rosto, vale repensar se as coisas estão mesmo em seu lugar.
Devagar o mundo muda. A gente muda também.
Talvez você perceba que é outro e que está á quilômetros de distância daquela pessoa munida de felicidade que um dia foi. Ou quem sabe seja tomado pela certeza e lucidez de que a vida foi boa demais com você.
Sim. São os momentos de reflexão que surgem como um aperto no peito, uma inquietude que precisa ser ponderada. É o intervalo que se instala para que a gente entenda se deve dar meia volta ou seguir adiante com passos firmes e seguros. Às vezes não tão seguros assim.
Talvez você se pergunte o que acontece quando não se atende a este aperto no peito. A ninguém cabe a definição das coisas, mas ouso achar que a gente se perde da gente mesmo e fica por aí, como quem não enxerga o colorido do mundo. Por isso, meu conselho: não se perca.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Amor Maior
 
 
 
Hoje faz 26 anos que ele é parte da minha vida. Não lembro o dia em que nos conhecemos, só sei que não é possível encontrar um único minuto em que eu o tenha odiado.

Sempre foi amor e mais nada. Amor na sua forma mais pura. Daqueles que valem mais que sua própria vida, sabe?

Por vezes desejei ter o poder de poupá-lo, colocá-lo em uma redoma de vidro onde nada nem ninguém pudessem lhe causar mal. Mas não tive esse poder.

A gente cresce e se machuca. Erra e aprende a levantar. Às vezes não aprende.

O sorriso dele sempre foi minha alegria, resposta as minhas orações. E eu sempre pedi muito. Proteja, guie, acalente. E ainda peço.

26 anos se passaram desde que a gente se viu pela primeira vez e que estes laços invisíveis que hoje nos unem se amarraram. Saudade do meu companheiro de vida. Saudade que já dura um tempão.

Hoje eu só queria abraçá-lo bem forte e dizer: Eu continuo te amando.