Quem sou eu

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Letra a letra e as aspas e reticências que a vida tem serão esboçadas aqui. Por quê? Já dizia Clarice Lispector, "Porque há o direito ao grito. Então eu grito". Só quero dividir as doçuras e azedumes, as rosas e espinhos que vou encontrando na Roseira da vida. Rosas pra você.

quinta-feira, 14 de março de 2013


Era pra Sempre




Aquela história de que era pra sempre, fica guardada em algum lugar que a gente sabe onde fica, mas não quer mais encontrar. A gente se depara com aquela frase boba que insistia em dizer que jamais faria sentido. O pra sempre, sempre acaba.

Mas como se não bastasse esse choque de realidade, você descobre e vivencia que o pra sempre não acaba em sincronia com o outro. Ele é solitário. Sempre deixa alguém com um “pra sempre” pulsando vívido no coração.

E é um pulsar insistente, que grita e arde pra não se deixar esquecer. Amar sozinho é enfermidade que não tem remédio, não tem diagnóstico confiável. O que resta, é confiar no tempo. No imprevisível e abstrato tempo.

Confiar. Está aí a palavra que todo aquele que já sofreu desconfia.
 
 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

 
Novo Endereço
 



Acho que no final das contas, estamos sempre voltando para casa. Estamos sempre voltando para o nosso refúgio, aquele lugar em que podemos retirar a armadura e simplesmente ser. O nosso universo, o lar.
 

Sempre acreditei que casa é onde o coração está. Sim. Estamos sempre voltando para os lugares que acolhem o nosso coração.
 

Casa é o ninho que nos acalenta, e que ultrapassa as barreiras do espaço físico. È o sentimento de completo conforto e a certeza de estar no único lugar que pode lhe trazer paz.

 
A gente está sempre voltando pra casa. Para o abraço que acolhe, para o sorriso sincero, para a palavra que orienta nossos atos, para a voz que embala o nosso coração.
 

Estamos sempre voltando pra casa. E ela as vezes muda de lugar, muda de endereço.Você sente isso, quando o corpo precisa voltar  mas o coração fica, se recusa a seguir adiante. É neste instante que você entende que o seu coração encontrou outro lugar para morar.


 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013


A Melhor Companhia
 
A gente faz esforços absurdos que ninguém vê, nem desconfia. É no mínimo curioso se privar de tudo, suportar pesos e perdas e compreender que a atitude corajosa e heroína de continuar é absolutamente sua. Afinal, quem pode seguir sua vida adiante além de você?
 
É muito hematoma, é muita porrada que a gente leva no decorrer do tempo, mas ninguém vê. E então você aprende, aprende cedo demais, que é só você e mais ninguém. São os seus problemas, os seus traumas, os seus medos. Ninguém vai se doer por você, entenda isso de uma vez por todas.
 
Foram tantas vezes que você se doou, se doeu, se entregou. Foram tantas vezes que você se anulou, se esqueceu, se emprestou e foi devolvido machucado. Esqueça tudo isso. É melhor assim. A vida fica mais leve quando você para de esperar coisas em troca e quando você se da conta que ninguém poderá se importar mais com você do que você mesmo.
 
Existem pessoas especiais que tornam nossa vida mais aceitável e que até nos fazem esquecer em certos momentos que somos só, que todos nós, somos em nossa essência, solitários. Mas aceite, se aceite, e verá que você pode ser a melhor companhia, o melhor confidente e aconchego.


Eu sempre me acalento, e me cuido. E quando fecho os meus olhos consigo perceber que a obviedade de nossa solidão só existe pra nos lembrar de quão fortes somos.
 
 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


Recalculando a Rota


Tem que ter coragem para ver o mundo desabando e dar mais um passo a frente, de cabeça erguida e olhos adiante. Tem que ter peito para ver o que você mais ama acabar e sorrir, dar um abraço e dizer “Até quem sabe um dia”. Quem ama nem sempre encara o “quem sabe um dia”. Quem ama quer tudo agora, braços e abraços, boca e sorriso, amor e seus sinônimos.

É preciso ter coragem para seguir caminhando quando o que se via a frente era simplesmente nós e o que se vê agora é somente eu. Dói e dá medo admitir que algumas situações são incontornáveis. Na verdade, a vida é incontornável.

A gente toma novos rumos, tenta encontrar atalhos que nos levem ao lugar onde tudo terminou. Mas não encontra. Os lugares mudam, os sentimentos mudam. A gente também muda, e muito.

É bonito ver quem se arrisca, quem mete a cara nas situações mais imprevisíveis e sai ileso, sem ferimentos no corpo e no coração. Mas nem sempre é assim. É perturbador seguir sozinho. Repensar todos os planos que antes tinham lugar pra dois, reavaliar todos os sonhos que cabiam em duas nuvens. Tudo volta a ser só um e essa singularidade pode ser sombria se você não souber recalcular a rota.

Pois é devagar que os passos à frente passam a não ser tão dolorosos, e o que ficou para trás deixa de ser ferida para ser apenas vulto. Os planos se ajustam e os sonhos permanecem, só que em nuvens que cabem apenas um, você e mais ninguém.

As decepções nos obrigam a ser egoístas, a pensar na gente um pouquinho mais, a se doar menos e se poupar mais. Só quem já perdeu o chão sabe e entenderá a dor de flutuar sobre o nada e ver sonhos e planos evaporarem para até quem sabe “um dia qualquer”.

Não há tempo para esperar dias que provavelmente não virão. É preciso recalcular a rota, recalcular a vida e o coração.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

 
AS PORTAS QUE NÃO SE ABREM
 
É perturbador pensar nos milhares de possibilidades que já estiveram diante de você, e de todos os caminhos e escolhas que lhe fizeram ser quem você é hoje.
 

Estava revendo e-mails antigos, abrindo espaço para coisas novas e me deparei com infinitos possíveis finais. Finais que eu não escolhi.
 

Se eu não usasse de tanta cautela talvez hoje eu fosse uma frustrada dona de casa, ou poderia estar na Irlanda morando em uma bela mansão tendo como coleção uma infinita lista de traições.
 

Se eu tivesse mais coragem talvez teria vivido alguns anos no exterior, teria ampliado horizontes, cultivado novos amigos, aprendido um novo idioma. Talvez.
 

Eu poderia ter me matriculado nas aulas de ballet e ter hoje uma coletânea de sapatilhas cor de rosa. Ou quem sabe ter cursado psicologia e me deparar com problemas alheios que eu não saberia me envolver até o limite que o profissionalismo me permitiria.

 
São situações não vividas. Foram “talvez”. Histórias interrompidas por princípios e sentimentos que falaram mais alto.

 
É estranho esse fator decisório que todos nós possuímos. Quantas vezes a oportunidade de crescer lhe bateu a porta e você recusou. Quantas tantas outras, o amor lhe atingiu, mas você fugiu e se escondeu até ele desistir e ir embora.

 
Acho que no fundo a gente sente quando deve ir adiante. Quando deve aceitar a oferta, agarrar a proposta, viver um amor, a gente sabe que deve seguir.

 
Talvez porque não estamos preparados para viver aquilo que a vida nos reservou para aquele momento. E, seres livres que somos, mudamos o percurso. Guardamos o melhor para mais tarde.

 
Neste ato de esperar, de adiar, muitas pessoas se perdem e perdem os momentos que nem sempre retornam quando finalmente estamos prontos.

 
Cada porta aberta, uma história. As portas fechadas que deixamos para traz nem sempre se abrem novamente. Perde-se a chave, troca-se a fechadura e o que ela guardava lá dentro, jamais iremos descobrir.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

 
São Só Palavras
 
Não consigo viver na superfície dos sentimentos. Não consigo viver o morno e achar normal. Confesso que tentei, e por vezes sofri calada a abstinência de emoção, daquelas fortes, que chacoalham, que te estremecem e te colocam no prumo. Tudo ao mesmo tempo.
Abstinência de afeto, de segurança e de mãos entrelaçadas. Sabe o que é isso?
É que existe mais querer no meu coração do que eu supunha, existe mais urgência do que eu achei que poderia haver. Que culpa carrego se me tenho visto enfraquecer lentamente?
Que coração poderia estar em festa quando o que se ama continua indo embora.
Eu continuo ficando, vendo o que há de melhor em mim se afastar lenta e continuamente, pra quem sabe depois de uma esquina qualquer, nunca mais voltar.
A verdade é, que o que dizemos e ouvimos não é, e nunca será o mais importante. E é por isso que fica difícil me iludir. Sabe, às vezes eu tento. Tento acreditar, mas sei que as ações valem mais. Comovem-me mais.  São o fogo que queima a água morna que não me serve.
A gente cansa das palavras. A gente se cansa da ausência de atitude. E isso é lamentável meu Caro.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

CONTINUAR
Eu sempre gostei de aprender. Desde criança o novo me surpreendia. Sentia aquela vontade de me empenhar a fazer algo da melhor forma. Melhor e diferente dos outros.
Muita gente á assim. Isto é ser humano. É querer ser alguém, e não apenas mais um. É querer ser útil. É entender e mostrar “à que veio”.
Acontece que o tempo vai passando, você vai crescendo, vai se decepcionando, vai amando, e aprende a odiar também.
Daí surgem os aprendizados que a gente não quer aprender, mas que são empurrados goela abaixo. A gente engole o orgulho, a personalidade e não tem outra opção além de continuar.
É difícil aprender que às vezes a gente precisa dizer não quando gostaria de dizer sim, e que é preciso dizer sim quando sua voz deseja, arde por um não gritado e veiculado em rede nacional.
Dói aprender a abaixar a cabeça. A recuar o passo. A entender que você não pode ir além.
As pessoas te recitam discursos prontos, frases de efeito desenhadas com grafite na cor dourada. “Você pode, você é capaz, basta acreditar nos seus sonhos, ser feliz depende de você”. Não. Ser feliz não depende só da gente mesmo. Quem foi que inventou essa nuvem de pensamentos cor de rosa?
A gente precisa mesmo é aprender a viver apesar de. A gente precisa aprender a engolir o orgulho e aprender a vomitar a verdade às vezes.
 
Equilíbrio, esta é a palavra. Pé no chão é o complemento.